sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Boas Festas e até 2010

A Angulo Sólido deseja boas festas a todos os leitores deste blog junto com os votos de um 2010 muito dinâmico. Até breve!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Encontro de empresas Open Source em Madrid

Algumas notas soltas sobre o encontro de empresas da ASOLIF:

- por via das 7 associações regionais o número total ascende a 160 empresas
- o mercado subiu 200% nos últimos 4 anos
- vai haver números actualizados no início de 2010
- a lei sobre Acesso dos Cidadãos ao Serviços Públicos em Espanha, Ley 11/2007, inclui a definição e recomendação de normas abertas
- após avanços, recuos e bastante polémica a decisão sobre que software irá estar nos laptops da educação no "eescolas" Espanhol (alunos de 10-11 anos) ficou nas mãos de cada Governo Regional
- esteve presente o director do Cenatic, um organismo Governamental que tem como objectivo "impulsionar o conhecimento e uso do software Open Source em todos os sectores da sociedade" bem como um representante da "C.M. Madrid" (Ayuntamento de Madrid)

O evento teve lugar nos passados dias 13 e 14 em Madrid, num espaço chamado Madrid on Rails que serve as empresas e a comunidade Open Source local.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Things have names, changes have reasons

Communication is made of agreements. We agree on what "1 meter" means so that people can order, say, a baseball stick and know what size to expect. We agree on what "1 second" means so that, knowing what "1 meter" is, we can estimate how long it takes to reach Brussels. Clear definitions are not an accident. They're born from knowing that rough statements (eg, "quite large" or "very very far") don't cut it.

Of course we all know this... we're just puzzled about why someone on the European Commission would replace - at no one's request - the precise definitions of Open Source and Open Standards by this amazing abstraction called the Openness Continuum... which according to their definition includes both open and closed.

Furthermore, why would they state something as oxymoronic as

[...] it is also true that interoperability can be obtained without openness, for example via homogeneity of the ICT systems [...]
?

If we accept this we can also easily accept statements such as

[...] it is also true that peace can be obtained without democracy, for example via oppression of the populations and strict control of all media [...]

Not that these are comparable in severity... but they seem to be logically analog. Strictly speaking, the former statement still outdoes the latter in terms of contradiction. Doesn't interoperability mean work across heterogeneous systems by means of a common language?

Maybe someone on the EC can step up and explain the reasons for these changes.

As for the leaked document as a whole we won't judge it as "good" or "bad". Locating it on the - just defined - Goodness Continuum - is left as an exercise for the reader.

Taking the web back

A comemoração dos 5 anos do Firefox é também uma oportunidade para relembrar o longo e penoso percurso de reconquista da web e os efeitos gravíssimos do monopólio que nesta se fez sentir durante vários anos. Os exemplos são vários: da geração de webdesigners do Frontpage que faz código a martelo, aos sites que funcionam apenas em Internet Explorer e à utilização de tags proprietárias e mecanismos ActiveX; do desrespeito pelos standards, à estagnação do IE6 (posteriormente melhorado pelos IE mais recentes já em ambiente de concorrência...). Talvez a geração mais nova não faça uma leitura tão extrema, mas tudo isto é óbvio para quem conheceu o antes (a navegar com Netscape 3 sobre Solaris em terminais X NCD), o durante e está feliz com o depois.

Com a web 2.0 veio o Firefox, o Safari (baseado no KHTML), as Wikis, os blogs, os CMS, o Ajax, o Twitter, o Google Maps, e ... voltou a interoperabilidade. Este é um dos pontos mais fortes do Firefox, que permite uma navegação web semelhante em diferentes plataformas, como o antigo Netscape do qual nasceu o projecto Mozilla. Outras inovações como os tabs, e a pesquisa integrada no Google e outros motores de busca foram igualmente introduzidos por browsers da Mozilla. Mas algo que tornou o Firefox especial foram as suas extensões... multiplataforma.

E como está a web portuguesa no meio disto? Está bem melhor. Embora ainda existam algumas aberrações, já se vêem igualmente sites de muito boa qualidade. No ponto óptimo? Certamente que não. Ainda existem sites desenhados por completo em flash (e portanto com fraca acessibilidade e nenhuma linkabilidade) e outros que não se percebe se foram desenhados ao acaso. E ainda existem tentativas de fecho da Web em torno de plugins como o Silverlight. Mas o que é facto é que as empresas e instituições públicas já estão preocupadas em ter uma presença digna na web.

Mas falta ainda bastante trabalho, como por exemplo generalizar-se a validação do HTML (2 exemplos que validam perfeitamente no W3 Validator: Angulo Sólido, ESOP). Dir-se-ia, tecnicamente falando, que no que respeita a conformance temos ainda muito que fazer embora tenha havido grandes melhorias no campo da interoperabilidade. A este respeito é positivo assinalar que os dois grandes entraves à utilização profissional de plataformas não Microsoft abriram finalmente as portas. Falamos é claro da Vortal e do BPI Net Empresas. Não sem luta, não sem resistência, não sem perda de clientes. Mas cedendo aos argumentos de quem acima de tudo... tem razão.

Como nota final, apenas se refere que a expectativa é grande em relação à adopção do HTML5. Especialmente no que respeita aos codecs de video sobre os quais, infelizmente, não se chegou ainda a um consenso.


Sinais dos tempos: o BPINET empresas anunciou compatibilidade multi browser

Correcção:

Tal como foi apontado nos comentários algumas inovações (ex: tabbed browsing) não foram introduzidas pela Mozilla, tendo no entando sido disseminadas pelos browsers da Mozilla.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Consulta de stocks em tempo irreal

É curioso como em plenos anos de ouro da Internet de banda larga a sofisticadíssima aplicação Oracle utilizada nas lojas da Worten não permite consultar stocks. O resultado é mais ou menos este:
- Eu pretendia o Microondas XYZ que está ali na prateleira
- Ah esse não temos disponível, só temos o que está exposto e esse não se pode vender
- Não tem em armazém?
- Não
- Pode ver se tem noutra loja?
- Só um momento

*clickety clickety*

- O sistema diz que há 3 no Colombo mas pode haver ou não
- Como assim?
- O senhor pode lá ir e haver, ou então não haver

PAUSA

- Mas acabou de me dizer que havia 3, só se venderem os 3 enquanto lá chego...!
- Não, o valor 3 refere-se ao início do dia quando se ligou o sistema, agora pode já não haver

PAUSA

- Mas o senhor pode ligar para lá para verificar antes de eu lá ir?
- Concerteza

PAUSA PARA IR BUSCAR O TELEFONE
PAUSA PARA LIGAR PARA O COLOMBO
CINCOS MINUTOS DE TENTATIVAS

- Lamento mas o número de lá está sempre impedido, não consigo falar para lá
- Não há outra forma de verificar a existência?
- A forma que temos é tentar ligar para lá mas como está impedido não se consegue

WORTEN SEMPRE!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

This blog is sexist - II

A nice looking girl telling you how to edit videos on Linux. Sexism or inclusion? (via Rui Gouveia).




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

This blog is sexist

I find it amazing that when "the man who gets desktop Linux" came and delivered an interesting talk on cadence, quality and design (important things that desktop Linux has traditionally missed and Ubuntu is pushing) all people are talking about is his supposedly sexist jokes. The pattern of amplifying some not so relevant details from someone's speech, while forgetting the main points, is usual on politics but that much on the Free Software community. So, all the noise [1,2,3...] around Shuttleworth's jokes is not something I would expect.

But since we are at it, some quick notes:

1- the word "guys" is not gender specific; can be used for a group even if there are only girls in it
2- to think women get more offended than men regarding mildly sexual puns is even more sexist than telling the jokes
3- the modern way of reacting to a sexist joke is telling a better one, not playing over sensitive
4- girls complained about the jokes but if they can't deal with something soft like this how will they handle a typical Free Software flame war [1,2,3...]?
5- and yes... explaining Free Software to girls is an issue as typically they aren't interested enough to hear all that's needed to get it right (see? it's interest and patience not difficulty...); whatever comes that makes it easier is welcome... otherwise let's talk about something else :)

The reason there are not so many women on the Free Software community has nothing to do with sexism. There's few women in IT as there's few women in Engineering in general. It just means that statistically they're more interested in other things. The ones who are interested are certainly welcome as are males of different ages, colors, countries, continents, shapes, religions and sexual preferences. In fact gender is just a normal attribute of the data structure that makes our representation of a human being. Why would the community be tolerant on all other attribues and play unfair on this one? Nonsense.

Now let's get busy with the next release.


Local PS:

Não estou a ver nenhuma mulher portuguesa a fazer-se de donzela ofendida só porque alguém descontraidamente falou dos "gajos do Gnome" ou "gajos do KDE" numa conferência. O mais provável seria ouvir-se uma voz do público a dizer "desculpe cabe-me informá-lo de que o projecto também tem gajas". E a vida continua.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O perigo das coligações

(Notícia publicada no caderno Inimigo Público, há uns anos atrás)

domingo, 27 de setembro de 2009

O Adepto (via Caixa Mágica)

Irreverente, inesperado e oportuno. Um remix da Blogconf feito pela Caixa Mágica.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dossier e-gov com participação dos vários partidos

A agência i-gov acaba de publicar um dossier intitulado "eGov@Portugal: Propostas para uma legislatura" com a participação de vários partidos políticos. O documento pode ser consultado online podendo-se igualmente fazer download da versão PDF. Uma leitura certamente complementar às perguntas da ANSOL.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Encontro Nacional de Tecnologia Aberta - Linux 2009

O Evento vai ser a 24 de Setembro no sítio habitual. Aqui fica o link para o programa.


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Politics, Policies, Inoperabilidade, ANSOL e Asolif

Notas soltas após o Encontro Nacional de Interoperabilidade:
  • em Portugal mistura-se Politics com Policies, quiçá porque só temos uma palavra; nas TI precisamos de Policies não de Politics (intervenção interessante de Luis Vidigal)
  • o Projecto Lei sobre normas abertas do PCP (577/X) não chegou a ser debatido e terá que se re-submetido na próxima Legislatura; tem pareceres negativos dos Governos Regionais da Madeira e Açores por razões que poderão pender mais para Politics do que Policies
  • o primeiro partido a responder às perguntas da ANSOL foi o MEP
  • as associações ligadas ao SL em Espanha estão em protesto em relação ao SO dos projectos "e.escolas" Espanhois. Um Press Release da ASOLIF encontra-se aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Encontro Nacional de Interoperabilidade - 16 de Setembro

O primeiro Encontro Nacional de Interoperabilidade é organizado pela ODF Alliance Portugal e pela APDSI e vai ter lugar a 16 de Setembro na IBM Portuguesa. O encontro conta com a participção de diversas instituições de referência que se espera que contribuam com pontos de vista interessantes para o tema. O subtítulo é provocador: inoperatividade ou interoperabilidade?

O site do evento encontra-se aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Caixa Mágica: Governo de A a Z

A Caixa Mágica fez um balanço dos últimos 4 anos no que respeita a diversos temas. Um post interessante e de certo modo complementar a este. Nota positiva para o e.iniciativas, para o Magalhães, para o Inglês no 1º ciclo. Nota negativa para o desastre do OOXML em Portugal, para a falta de transparência no acesso a dados públicos e para a crise do GCompris (com respectiva mea culpa). O artigo encontra-se aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dilbert vs Industry standards


A cartoon strip that's worth a thousand explanations.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Programas eleitorais vs Tecnologia Aberta

Update: actualização com referência aos programas do PSD e CDS/PP.

Frequentemente somos confrontados com a difícil questão de expôr ideias sobre tecnologia a decisores políticos muitos dos quais, por diferentes razões, são impermeáveis a qualquer explicação. Não é fácil descrever os conceitos relacionados com Open Source, Normas Abertas e a forma como estes dois conceitos são distintos, independentes e complementares. Mais difícil ainda é explicar qual o impacto negativo do actual monopólio em certos aspectos das TI e como algumas acções simples incisivas o poderiam resolver. E quando alguém finalmente compreende, será fácil propagar essa explicação à respectiva família política?

Entre os extremos do “ignoro, não quero e falta-me tempo para pensar nisso” e o “conheço, compreendo e tenho na agenda” existem porventura diferentes graus de cinzento no nosso espectro político. Interessa pois analisar que tipo de propostas existem nos programas eleitorais para as Legislativas que se avizinham.

Antes de o fazer é importante termos em mente algumas coisas
  • o facto de algo estar num programa eleitoral não significa que seja implementado
  • o facto de algo estar num programa eleitoral não significa que seja bem implementado
  • o factor de algo não estar num programa eleitoral não impede que seja implementado

Como se sabe o actual Governo do Partido Socialista teve alguns méritos importantes nesta matéria, por exemplo, criando condições para a coexistência de várias ofertas de software nos programas e.escola e e.escolinha (aka Magalhães), sem se limitar à opção default que faria destes projectos veículos de distribuição do “fornecedor único”. Este passo deveria ser considerado normal e natural em termos de neutralidade tecnológica, mas dadas as condições iniciais da realidade portuguesa merece ser reconhecido como um passo corajoso e pioneiro. Mais recentemente começaram a ver-se alguns pequenos avanços fruto da assinatura do protocolo com a ESOP/AMA em 2008, que poderão eventualmente ser alargados mais tarde, se para tal houver vontade. Serão estes méritos isolados de cada projecto ou o resultado de uma visão estratégica?

Importa ter em mente que um programa eleitoral representa, em princípio, um consenso alargado dentro do partido que o propõe. Portanto, a presença de certas matérias no programa de um determinado partido sugere uma sensibilidade mais generalizada do que iniciativas pontuais que aconteçam em função de vontades “isoladas”.

Vejamos então o ponto de situação dos diferentes programas eleitorais:









PartidoPropostas
Bloco de EsquerdaRejeição das patentes de software, software livre na Administração Pública, interoperabilidade
CDS/PPNão contém nenhuma referência (nota: o programa está em flash, não é pesquisável)


CDURejeição das patentes de software, promoção do software livre e formatos livres
PSNão contém nenhuma referência
PSDNão contém nenhuma referência.




Neste momento ainda não estão disponíveis os programas do CDS/PP e PSD, os quais lamentavelmente só estarão prontos no final de Agosto a um escasso mês das eleições. [Update 03/09: já se encontram disponíveis].

No entanto, é um facto conhecido que são os partidos mais à esquerda que se encontram tradicionalmente bem informados em relação a esta matéria. Isto tem sido demonstrado por diversas vezes, não só nos programas, como na actividade parlamentar mas também em posições públicas (ver por exemplo o Projecto de Resolução 227/X e Projecto de Lei 557/X ambos da autoria de um conjunto de Deputados do PCP) . Mas este é um dado meramente empírico, que não vejo como alinhar com nenhuma ideologia política.

A Tecnologia Aberta reforça a posição do Estado enquanto consumidor: será uma ideia de esquerda? A Tecnologia Aberta é boa para as PMEs: quiçá uma preocupação de direita? As Normas Abertas são o enabler da competitividade no mercado: não deveria ser uma preocupação geral?

Não há portanto nenhum processo ideológico que justifique a situação. Se os partidos de esquerda, estão mais informados nesta matéria é apenas porque se informaram melhor. Se apoiam é porque vêem vantagens. Se os restantes partidos fossem contra fariam campanha pelo software proprietário e formatos fechados. Na prática pouco ou nada têm dito sobre o assunto.

Tive oportunidade durante o evento Novas Fronteiras, em que o Partido Socialista recebeu sugestões para inclusão no programa eleitoral, de apelar à utilização das normas abertas em Portugal. Concretamente, com algum esforço de simplificação, expus o seguinte:

Portugal 2.0 – normas abertas e interoperabilidade

A web 2.0 mais do que uma buzzword foi uma revolução. A revolução que nos trouxe aplicações como a Wikipedia, Google Maps, Facebook, Twitter, Firefox, Chrome, Delicious entre outros. A geração da web 2.0 reconhece a pluralidade e diversidade de aplicações e sistema operativos e mostrou que é dessa pluralidade que nascem a todo o momento as inovações mais interessantes. Mas as TI em Portugal – por analogia – encontram-se ainda em larga medida na sua versão 1.0 com muitas aplicações não portáveis – presas a uma dada plataforma – bem como protocolos e formatos proprietários que não garantem o acesso universal aos dados. Incidentes recentes com aplicações desenvolvidas no âmbito de serviços públicos nacionais vieram evidenciar que a monocultura implantada e o desconhecimento de princípios elementares de interoperabilidade originam situações que restringem o acesso generalizado a estes serviços e impõem graves condicionamentos ao mercado.

Propõe-se melhorar a competitividade no mercado das TI incentivando e apoiando o uso de tecnologias multiplataforma e de formatos abertos, aproveitando o enquadramento Europeu que já existe sobre essa matéria e tendo em conta o que já foi implementado noutros países Europeus. As TI de um Portugal 2.0 deverão utilizar standards abertos e tecnologias multiplataforma para quebrar todas as barreiras de comunicação entre instituições, empresas e cidadãos.

Creio que para além de algum desconforto manifestado na mesa ao lado a proposta não gerou eco por aí além. É pena. Acredito que mais do que falta de vontade ou dinamismo (que em diversos aspectos devemos elogiar no actual Governo) o que falta é sensibilidade e visão em profundidade destes assuntos.

Mais recentemente nas duas Blogconf organizadas primeiro pelo Partido Socialista e depois pelo Bloco de Esquerda) o tema da Tecnologia Aberta veio à baila. José Socrates respondeu a Paulo Trezentos. Francisco Louçã respondeu a Rui Seabra. Dos dois diálogos transparece imediatamente que enquanto José Socrates tem o pensamento centrado numa expressão que o ouvimos repetir centenas de vezes “o computador”, Francisco Louçã vê para além disso estando à vontade com “propriedade intelectual”, “software livre” e “normas abertas”. Quando José Sócrates afirma como muito positivo que a Microsoft instale em Portugal centros de competências não tem disponível para ponderação uma estimativa, mesmo que simplista, das consequências negativas para o mercado da monocultura actualmente instalada. Talvez não tenha sequer a percepção dessa monocultura. Louçã por outro lado, até tem presente quanto se gasta em licenças para a Assembleia da República.


Louçã vs Seabra

Esta percepção é importante. De cada vez que somos mal atendidos, ou não somos atendidos de todo, num hospital público talvez nos devamos questionar como se podem gastar via ajuste directo milhões de euros dos nossos impostos sem ponderação de alternativas. Haveria muitos exemplos destes para referir, e muitos outros para procurar em http://transparencia-pt.org mas basta por exemplo termos em mente esta adjudicação de quase 10 milhões de euros para nos interrogarmos sobre a causa de certas coisas.


Socrates vs Trezentos

Seguramente não é fácil ser-se Primeiro Ministro, tendo que dominar sem gaguejar, as ideias gerais de Energia, Economia, Tecnologia, Saúde, Educação e ainda lidar com o funcionamento da política em Portugal. E não se pode exigir que toda a gente domine tudo a 100%. No entanto José Sócrates já deixou claro que a tecnologia é para ele uma prioridade e portanto aí deveria demonstrar uma muito melhor sensibilidade ao pormenor. A visão simplista de “o computador” ou “o milhão de computadores” esconde nuances que nos podem tornar grandes nos números mas atrasados no conhecimento, na independência tecnológica e na inovação que tanto desejamos.

É aqui que entra a questão do consenso alargado versus iniciativas isoladas. Muito provavelmente o Primeiro Ministro não se encontra suficientemente bem enquadrado com colaboradores com diferentes visões da Tecnologia. Isso significa que embora possam existir iniciativas isoladas com muito mérito e bons resultados a sensibilidade para estes assuntos não se desenvolve nem se generaliza dentro do seu partido. E o inocente deslumbramento perante a gigantesca Microsoft permanece, com a monocultura e as suas consequências [1,2,3,...]. Talvez neste aspecto o Conselho Consultivo parte da proposta inicial Projecto de Resolução 227/X mas inviabilizado pelo PS em 2007 fizesse sentido, permitindo alargar horizontes em matéria de tecnologia. Um assunto para voltar a debater?

Por tudo isto quem se interessa por Tecnologia Aberta deve em tempo de eleições examinar com cuidado o track record de cada partido na matéria mas também observar os programas eleitorais no sentido de formar as suas expectativas. Independentemente de qualquer opção política, que tem que ser ponderarda olhando a muitas outros aspectos, a minha expectativa pessoal é de que o próximo Choque Tecnológico não seja uma colisão frontal mas sim um incisão inteligente e cirúrgica que introduza as Normas Abertas, interoperabilidade multiplataforma e soluções Open Source como opção nos sistemas públicos. São aspectos nos quais uma boa parte da Europa já avançou e em que Portugal não deve ficar para trás.

Nota:
Este post será actualizado quando estiverem disponíveis os programas do PSD e CDS/PP.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

File sharing em Português Suave - artigo de verão

O tek publicou um artigo de opinião sobre o tema. Acompanha com cerveja a 0ºC e música pitoresca que infelizmente não se consegue comprar online. Votos de uma agradável leitura e um excelente Verão, esperando que os ventos do Outuno nos venham a trazer melhores serviços.





sexta-feira, 24 de julho de 2009

Calendário Open Source 2009 - actualização

- Encontro Nacional de Interoperabilidade - 16 de Setembro
- Java PT 2009 - 17 de Setembro
- Encontro Nacional de Tecnologia Aberta (Linux 2009) - 24 de Setembro
- Jornadas de Software Aberto para SIG - 2 a 4 de Novembro
- Conferência anual do OpenOffice (OOoCon) - 3 a 5 de Novembro, Orvieto, Itália
- Formações ESOP/AMA - Entre Abril e Novembro [lotação esgotada]

Publicaremos mais informação sobre alguns destes eventos quando estiver disponível.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Overunderdoing: patterns in Microsoft's interoperability stance

Overunderdo

To achieve good things to the extent that they can be loudly announced but to a slightly lesser extent than would actually make them useful.


It looks like Microsoft is reinventing itself. After years and years of isolation on its self ruled monopoly the company now desires to interoperate with everyone else. Or does it? We will never know. What we know is simply what can be inferred from the information that reaches us. And our evaluation depends on whether we focus on the titles or we examine the fine print instead. Why does every announcement leave a deja vu sensation in the air?


It's currently very uncool to be anti openness. Open is nice, open is 2.0. Wikipedia, Firefox, Creative Commons, Google, Linux, you name it. But openness can kill a monopoly, as it imposes merit based competition. Unfortunately, unless a way is found to bring Quantum Mechanics to the IT market, it's physically impossible to be Open and Closed simultaneously. But can one remain closed while appearing to be open?


Well, if we're talking about interoperability it has been done. Or tried. We could call it overunderdoing. Here's the algorithm:


  1. pick one interoperability concern

  2. solve it up to 85% (percentage may vary)

  3. wisely choose the 15% to leave out so interoperability can be said to work but with constant annoyances

  4. make a loud announcement to the press

  5. profit: everyone will read the announcement but only a small fraction of such readers will notice the missing bits; despite the claimable advances over the previous situation it still won't be practical to make any use of the announced interoperability


While this is obviously not a perfect plan, the less informed the audience the more likely it will work. Often, the left out 15% are subtle, sometimes only noticeable when testing / implementing. Most announcement readers will read and move on with their daily work. That's how it works.


Let's look at some examples.


By the end of 2006 Microsoft decided to submit OOXML to ISO. The specification was indeed mostly open but:

  • it was underspecified in the details (attributes like AutoSpaceLikeWord95 were impossible to implement)

  • it was redundant as there was already another standard for documents (ODF)

  • it was neither patent free nor royalty free (this is still somewhat unclear now)

  • there was no multi platform implementation (interoperability was unproven)

Still, at a first glance it sounded a good move. People said: wow! Dozens of them, some with very important social roles, wrote support letters for OOXML. The trust levels were so high that people from public institutes without any interoperability experience applied to the local Technical Committees just to vote for Microsoft. Some more informed people wondered: why not supporting the already existing multiplatform ODF? Why do we need several standards? How it went from there everyone knows by now.


Some months later, in 2007, Microsoft announced Silverlight, a cross-browser, multiplatform “solution for video and interactivity”. But guess which platform was left out? For the Silverlight 2 announcement they claimed they'd support Linux. However, as of May/2009 the Linux support, which is developed by Novell not Microsoft, is still in Beta. This means double profit: announcing that Linux support will be taken care of sounds good while leaving the “relatively few” users they expect on Linux without a solution that works for Silverlight based websites. The more Silverlight the less Linux. But if pressure mounts they can still point people to the Moonlight website which eventually will have a stable implementation, one day.


Another example was this interoperability announcement that got very popular in the Press. This happened after the company was fined by the EU and sounded like an opportunity to save face. Again, it was received with quite some praise within the IT crowd in general but the Open Source community, one claimed target of the initiative, quickly read this as a useless PR stunt. In fact the interoperability terms introduced a difference for free and commercial uses, something that is definitely not the way Open Source works. No Open Source project will sacrifice freedom of use for any patent encumbered Microsoft specification.


Finally we arrive the major announcement in 2009: Microsoft Office 2007 SP2 supports ODF. This is huge. A great headline! Despite all the OOXML mess Microsoft supports ODF first. But you can't exchange any basic spreadsheets between Office 2007 SP2 and any other ODF producer because not even the most basic 2+2 SUM() is compatible. Unbelievable? Maybe. But it's true and they don't even deny it. Regardless of all the existing ODF implementations (Open Office, Symphony, Koffice, odf-converter, Sun ODF Plugin) Microsoft handled formulas on their own incompatible way. There's no possible excuse for this. Even odf-converter, wich is co-developed by Microsoft, managed to play nicely with the others.


It's clear that all these examples match the same pattern. Now the question is: how long will they manage to fool everyone? I have to admit that in many countries this strategy works well enough. Many important people in Portugal were convinced that OOXML and the interoperability announcement were honest and transparent initiatives. What will they think in face of this ODF implementation nonsense? Haven't things gone too far?


We should feel tired of being fooled by now, even if we're being so smartly fooled.



segunda-feira, 11 de maio de 2009

Guest clock runs too fast - guest / host clock synchronization

Seems that millions of VMWare users are having clock drift problems through different OS versions. A google search will return too many result with too many different solutions.

Here's what to do if your guest clock runs too fast under VMWare Server.

Host Operating System

1. Find your maximum CPU frequency:
cat /proc/cpuinfo |grep -i mhz

2. Add the following lines to /etc/vmware/config:
host.cpukHz = 2800000 (replace with your CPU MHZ * 1000)
host.noTSC = TRUE
ptsc.noTSC = TRUE
3. Restart VMWare.

Guest Operating System

4. Change your kernel boot parameters according to the table found here.
5. Configure ntpd according to this document.
6. Ensure ntpd starts on boot.
7. Reboot.

This was tested under VMWare 1.0.9 running on a Centos 5.3 64bit host with CentOS 5.3 64 bit guests. All kernels are SMP.

Update:

Apparently even with the above procedure the guest clock still runs faster something like 1/2 minute per hour. If the applications running on the VM are not time-sensitive one can run an hourly ntpdate cron job instead of ntpd (ntpd doesn't work if the guest clock drifts too much).

It
may be that disabling power management on the host helps but I wouldn't go that route given a "good enough" solution as described above, that will work well for the scenarios the guest is being used on.


quarta-feira, 29 de abril de 2009

WTF mix

Do departamento de Sinais do tempo:

Parece que os pais estão a levar 2-0 dos filhos no que respeita ao Linux no Magalhães. Um detalhe do site da comunidade Caixa Mágica.

Do departamento dos Pisa Papéis:


Esta magnífica Panasonic DP1820E, impressora multifunções (cópia, impressão, digitalização) que pesa 43Kg e não é propriamente barata, tem nas suas especificações compatibilidade Postscript / PCL e compatibilidade multi SO. Vem o cliente a perceber à posteriori que afinal tal funcionalidade era "opcional" (!!) e que o que no fundo tem lá no escritório é nada mais do que uma pesadíssima winprinter, que deixará de funcionar se mudar para Linux, Mac ou uma versão de Windows para a qual já não se façam drivers (Vista, 7, ...). O fornecedor diz que como o modelo já foi descontinuado já não é possível configurar o suporte Postscript / PCL e aconselha à compra de uma impressora nova. É um pisa papéis de luxo.

Do departamento Business as Usual:

Mal foi anunciado o suporte para Windows XP virtualizado built-in no Windows 7 e já começam os preocupações no Slashdot. Será que agora temos que ter dois antivirus e duas firewalls?!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

We're Linux - video highlight

Este video não foi um dos vencedores do concurso lançado pela Linux Foundation mas é sem dúvida uma dos melhores pela simplicidade da mensagem e pela boa articulação do som e imagem.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Calendário Open Source 2009

Após o ESLAP e o FOSDEM estão previstos, no que resta de 2009, eventos Open Source para todos os gostos. Aqui fica um resumo dos mais relevantes a nível nacional e europeu:

- Open Forum Europe Summit 2009 - 24 de Abril, Bruxelas
- Jornadas de Ciência da Informação na Faculdade de Letras da Univ. do Porto - 18/19 de Maio
- Semana do Software Livre no ISCAP - 1 a 5 de Junho
- Eleições e Assembleia Geral da ANSOL - 6 de Junho
- Linuxtag, 24 a 27 de Junho, Estugarda
- Jornadas de Software Aberto para SIG - 2 a 4 de Novembro
- Conferência anual do OpenOffice (OOoCon) - 3 a 5 de Novembro, Orvieto, Itália
- Formações ESOP/AMA - Entre Abril e Novembro [lotação esgotada]


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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Emigrantes portugueses com a 4º classe entre os mais bem pagos em todo mundo

Foi recentemente tornado público pela consultora de recursos humanos iXplore que os emigrantes portugueses com a 4º classe se encontram entre os mais bem remunerados a nível mundial e em particular em França. Segundo o representante da consultora Jôsé Alfonse Silvá, ele próprio emigrante em França, há razões para isso: “é um prefil profissional com capassidades muito específicas [...] trabalham muito bem com clustering, sistemas relutantes e alta (in)disponibilidade [...] também se safam bem com desenvolvimento e gestão de grandes progectos. Mas são fracos em línguas”. A consultora refere que já existem “angariadores” em Portugal a convencer os portugueses a emigrar para que possam “mostrar o seu verdadeiro potencial". Acrescenta que "os portugueses são bons é lá fora".

Artigos relacionados: link.

Internet Explorer 6 disponível para Linux e Mac

Ficou hoje disponível para download o Internet Explorer 6 para Linux e Mac OSX. Com esta nova release do browser mais utilizado em todo o mundo a Microsoft dá um passo alargado na interoperabilidade fazendo do Internet Explorer o primeiro segundo terceiro ... bom... um navegador multiplataforma. Entre as novas funcionalidades contam-se o suporte para GIFs animados, múltiplas janelas, marquees, activeX e outras funcionalidades essenciais a uma navegação moderna.

IE6 inova na plataforma Linux

Esta versão do browser foi desenvolvida ao abrigo do acordo de interoperabilidade assinado com a Novell. Segundo a relações públicas da empresa Patrícia Parlantes este é o primeiro resultado sólido dessa parceria: “o conversor ODF arrasta-se a processar e o Moonlight continua na versão 1.0. Mas o IE6 vai dar cartas. Agora sim, os utilizadores poderão experiênciar o melhor da Web em qualquer sistema operativo”. Esta nova versão do navegador permitirá a utilizadores Linux e Mac acederem a websites essenciais tais como Credibom, Assoft e Zoo de Lisboa.

Equipa da Vortal excomungada por Bento XVI

Bento XVI acaba de excomungar toda a equipa de desenvolvimento da Vortal. Em causa estão os problemas de interoperabilidade da plataforma Vortal que excluem do acesso à informação um número considerável de pessoas. O problema, actualmente conhecido como Vortalgate, chegou pela primeira vez ao grande público na sequência de uma queixa da ESOP apresentada em Roma. A associação terá feito uma queixa às Autoridades Religiosas por achar injusto haver tratamento desigual sem nenhum dos prejudicados ter pecado recentemente. Algumas vozes relativizam o problema dizendo que "a irmos por aí a arbitragem de Futebol em Portugal teria muito maior potencial de excomunhões". Bento XVI, no entanto, reconheceu a gravidade da situação tendo declarado no momento da excomunhão "Não ouse o homem criar as distinções que Deus não quis".


quarta-feira, 18 de março de 2009

Nokia estreia Music Store com forte aposta em conceito de comunidade

Comunidade? Mas qual comunidade? A comunidade ActiveX? A comunidade Web 0.1? Ou quiçá a comunidade o-meu-site-é-feito-à-pressão-e-só-funciona-num-browser? A frontpage aparece intitulada "Atendimento ao Cliente" com a mensagem que se pode ver abaixo. Está por esclarecer se as músicas têm ou não DRM.

Via Tek.
Notícia relacionada: pioneiros.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Conta-me como foi - largura de banda upstream

Em finais de 2006 surgiu aqui uma discussão sobre as verdadeiras razões dos valores de upstream disponíveis nos serviços de Internet serem, na época, tão reduzidos. De facto, durante algum tempo a Clix chegou a ter "disponível" o serviço 24/400, que posteriormente actualizou para 24/640 e finalmente para 24/1024. A discussão aborda um ponto importante que é o facto do tráfego TCP downstream gerar pacotes de acknowledge que consomem parte da largura de banda upstream disponível. Era prática comum o valor disponibilizado não ser suficiente ou estar no limite do necessário para o débito teórico downstream. Fala-se ainda dos elevados custos dos serviços com melhor débitos disponíveis na época e das limitações intrínsecas dos serviços ADSL.

Com a chegada de serviços 100/10 (Clix), 100/6 (Cabo) e as tão faladas "redes de nova geração", a questão parece bem encaminhada em Portugal. Curiosamente, a discussão veio reacender-se na Austrália envolvendo a Telstra. Segundo a empresa os clientes com o serviço de 100Mb "não estão interessados em mais de 2Mb de upstream". A dicussão pode encontrar-se aqui.

Aqui fica uma imagem, já anteriormente usada neste blog, que ilustra como é fácil saturar o uplink de um serviço 24/1 (e que portanto é essencial ter o QoS bem configurado).

sábado, 7 de março de 2009

O Expresso também dá erros, ou a lei da acção-reacção.

Juntamente com a enjoativa expressão "tudo é relativo" (parte integrante das 3 ou 4 leis da Física de algibeira e grosseiramente transposta para as mais variadas situações do dia a dia, nas quais justifica o que quer que dê jeito), também a famosa "lei da acção-reacção" é sistematicamente posta em prática em Portugal. Quando dá jeito, ou quando é preciso. Não forçosamente quando é justo ou é útil.




Ora, quiçá a primeira reacção a uma acção triste, mas necessária, já se faça sentir. Será?

Noticia o Expresso, em primeira página, que os "Jogos educativos do Magalhães estão repletos de erros de Português". De facto, aparentemente o pacote GCompris tem, na sua tradução para Português incluída no Magalhães, erros cuja gravidade é de lamentar e que justificam correcção imediata. Os responsáveis devem actuar sem hesitações.

Mas o Expresso toma a parte pelo todo. O Magalhães é um projecto que inclui dois sistemas operativos e centenas de componentes de software. Os erros foram identificados num componente específico que não representa a globalidade da solução. Negligencia, desta forma, o Expresso todo o esforço posto em prática por diferentes empresas e instituições para montar a oferta de software do Magalhães.

E a forma emotiva como está escrito o artigo não ajuda: na ânsia de criticar, esqueceu-se o Expresso da objectividade e frieza necessária para lidar com notícias de primeira página. É que o referido "emigrante com a 4ª classe" que fez a tradução tem, para além da 4ª classe, um curso de Filosofia e outro de Informática sendo profissional de TI em França, onde estudou e reside há muitos anos.

De facto, José Jorge, para lá da sua actividade profissional ligada às TI e de estar envolvido no projecto GCompris, é packager de software para Linux. Tudo matérias que tanto quanto se sabe não fazem ainda parte do 1º ciclo do ensino básico.

Errar é humano. Para o Expresso, sai uma palmatória.

Update: há mais informações aqui.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Conta-me como foi - DVD em Linux

Nota: alguns links incluídos neste texto demoram bastante a abrir porque se referem a conteúdos históricos presentes no Internet Archive cujos sites originais já não existem.

Decorria o longínquo ano de 2000 e o DVD era a última moda audiovisual. O salto qualitativo em relação a tudo o que existia anteriormente era gigantesco e a tecnologia DVD fez sucesso quase instantâneamente. Mas ver DVDs em Linux era ainda bastante complicado.

Havia na altura dois desafios principais:
  • aceder ao conteúdo do DVD ultrapassando um tipo de DRM, chamado CSS, presente em quase todos os DVDs comerciais
  • implementar um decoder de mpeg2 que funcionasse bem nas máquinas da época
O primeiro destes foi superado pelo famosíssimo DeCSS . O DeCSS permitia decifrar o conteúdo do DVD tendo por base uma chave criptográfica alegadamente obtida por reverse engineering de um player comercial para Windows. A divulgação deste software deu origem a um polémico processo em tribunal, promovido pelas associações americanas CCA e MPAA, contra o norueguês Jon Lech Johansen posteriormente conhecido como DVD Jon. A comunidade respondeu de imediato com a distribuição em massa do DeCSS de múltiplas e imaginativas maneiras.

O DeCSS foi posteriormente substituído pela libdvdcss a qual é agora alojada abertamente no site do projecto VideoLan. A libdvdcss implementa um ataque brut force, ao sistema CSS (que se mostrou ser criptograficamente fraco) e permite ignorar a restrições às zonas oficiais dos DVDs.

É preciso salientar que uma das motivações do desenvolvimento destas tecnologias era permitir a reprodução DVD com software Open Source, nomeadamente em Linux, uma vez que a forma tradicional de o conseguir era adquirindo uma chave criptográfica ao já mencionado consórcio da indústria chamado CCA. Ora esta situação era claramente incompatível com a existência de um player Open Source e bastante injusta para o consumidor que, já pagando o valor de cada DVD, não deseja certamente que lhe seja imposto o sistema operativo e o software com que o vai ler. Após demorada polémica a julgamento terminou sem qualquer condenação considerando-se que a prática não era contrária à lei.

No entanto este processo veio chamar a atenção para o recorrente esforço de algumas associações da indústria em restringir a forma como são usados produtos legalmente adquiridos como forma de prevenir potenciais usos ilegais. Em questão esteve sempre o direito de um indivíduo poder aceder ao conteúdo de um DVD, por ele legitimamente adquirido, mas a indústria montou uma campanha no sentido de insinuar que apenas se defendia contra cópias ilegítimas. Ora para fazer cópias ilegítimas de DVDs nunca houve necessidade de ultrapassar as protecções: basta fazer uma cópia integral do disco original a qual funcionará sem problemas.

O segundo dos desafios, aparentemente mais fácil de superar, demorou algum tempo a ser ultrapassado. A tal ponto que toda a discussão sobre o DeCSS aparentava ser fútil dado não existir à data nenhuma implementação funcional que deste fizesse uso.

É também de salientar que na altura o hardware disponível estava no limite mínimo necessário para esta tarefa. Havia máquinas PII a 400 mhz que ainda se engasgavam com o ATI DVD Player em Windows, tal como havia máquinas PII 300 mhz que funcionavam fluidamente em Linux. Tudo isto dependia da qualidade e performance das boards (CPU e IO) bem como da placa gráfica sendo que na altura a Xv extension, essencial para fazer offload do CPU nas operações de scaling e colorspace conversion, não estava generalizada (existia inicialmente para placas Matrox, seguindo-se as ATI, estando hoje presente em quase todos os drivers do Xorg).

A primeira tentativa de DVD player open source era o OMS que infelizmente nunca funcionou bem. Posteriormente surgiu o projecto Xine, liderado na altura por Guenter Bartsch, que logo nas versões iniciais conseguiu estabilidade e performance aceitáveis na reprodução de DVDs. O projecto Xine utilizava a libmpeg2, algum código do OMS e oficialmente só suportava DVDs não cifrados.

OMS - o player que nunca funcionou mas lançou as bases para a reprodução DVD em Linux

No entanto um tal da Captain CSS lançou na web um plugin que permitia reproduzir DVDs cifrados no Xine. Não tardou que alguns sites começassem a distribuír o player completo, pronto a funcionar:

http://lists.blu.org/pipermail/discuss/2001-January/008408.html

http://web.archive.org/web/20010309015840/http://gape.ist.utl.pt/ment00/linuxdvd.html
http://web.archive.org/web/20010801165028/http://gape.ist.utl.pt/ment00/linuxdvd.html

Em Janeiro de 2001 a repdrodução DVD em Linux era uma realidade. Os DVDs já funcionavam a nível básico estando algumas funcionalidades como as legendas e navegação nos menus em desenvolvimento. Para além do Xine projectos como Videolan, o Mplayer e o Ogle começaram igualmente a apresentar resultados.

Xine - o primeiro DVD player open source. A sua base (libxine) é hoje utilizada por diferentes players

Nesse mesmo ano em Abril, A VIII Semana Informática do IST albergou uma exposição intitulada "Linux como solução Desktop", algo claramente muito avançado para a época... e convidou um representante do projecto Xine apresentar o projecto. O developer em questão foi Siggi Langauf que se deslocou de Estugarda para falar no primeiro dia do evento.

Actualmente existem múltiplas soluções para reprodução DVD em Linux entre o Xine, Mplayer, Ogle e os diversos front ends disponíveis em versões Gtk, Gnome, KDE, etc. As libraries necessárias (libdvdcss, libdvdread, libdvdnav) nem sempre são incluídas pelas distribuições mas estão geralmente a poucos clicks de distância através de pacotes pre-feitos para cada distribuição alojados em repositórios não oficiais.

Kaffeine - player multimedia baseado na libxine

A batalha pelo direito à reprodução DVD em Linux foi vista como mais uma batalha pela liberdade do consumidor e um exemplo de como a força bruta centralizada dificilmente derrota a inteligência distribuída. Foi uma batalha ganha, em tempos mais difíceis do que os de hoje, mas que importa recordar pois deverá dar o exemplo para as próximas. A garra e persistência de quem trabalhou dias e noites para juntar todas as peças deste puzzle é uma incomparável fonte de inspiração.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Microsoft, Tom Tom e as patentes de software

A Microsoft acaba de processar a TomTom por alegada violação de 5 patentes de software pretentendo ser compensada pelos danos da alegada infracção. Esta situação vem mais uma vez lembrar o mercado quer dos perigos da existência do próprio conceito de "patente de software" quer da fragilidade das promessas emitidas sobre tecnologia patenteada.

Relembre-se que a Microsoft, no decurso da normalização do OOXML, se recusou a ceder as patentes da tecnologia utilizada preferindo emitir os famosos "covenant not to sue" (nos quais acredita quem quiser) e referir-se em vagos termos ao RAND (Reasonable and Non-discriminatory) que a ISO nunca chegou a explicar publicamente. E na tão anunciada iniciativa de interoperabilidade de 2008 pouco mais fez do que tentar diferenciar o acesso às especificações para fins não comerciais do acesso para fins comerciais, algo que a nível do ecossistema Open Source não faz sentido algum.

Num contexto em que a concorrência começa a dar sinais de crescimento, a crise incentiva a descida de preços e se generaliza o conhecimento das práticas anti-concorrenciais da empresa, tudo indicaria que a Microsoft se fosse dedicar a acrescentar valor aos produtos, justificando assim a escolha dos clientes mais fiéis e posicionando a sua oferta como superior à concorrência.

No entanto opta-se mais uma vez pelo brut force approach que, independente do resultado a que conduza, irá ceramente indispôr muito gente e trazer mais alguns gastos de imagem. Relembre-se o fiasco da SCO.

Nos próximos tempos irão certamente multiplicar-se artigos a explicar como as patentes alegadamente infringidas incidem sobre ideias perfeitamente banais, como as patentes de software inibem a inovação em vez de a proteger, que já existe prior art, etc. E isso é tudo verdade. Mas para além disso há que não menosprezar um facto: a Microsoft ataca directamente uma empresa de que os consumidores - incluindo clientes Microsoft - gostam. E isso não dá boa imagem na era da Web 2.0.

A seguir pode processar o Google, o Yahoo, a Apple, o Sapo, a Red Hat, a Linux Foundation... mas é um processo que só conduz ao isolamento e à imagem do bully kid que quer o recreio só para ele nem que para isso corra com todos à força.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Percepção e realidade

Uma experiência interessante da ZDNET Australia foi "vender" às pessoas um suposto Windows 7, que na realidade era o KDE 4. A realidade é que nenhum dos entrevistados levantou a ideia de que o sistema em questão pudesse não ser Windows.

Leva isto a questionar se as pessoas aceitarão mais facilmente a mudança de sistema se esta não fôr uma mudança de marca. Mudar para KDE 4 parece difícil, mas se lhe chamarmos Windows 7 a dificuldade será vista como natural. Que efeito terá isto sobre a curva de satisfação?

Em baixo está o vídeo da ZDNET. Ver para crer.


sábado, 7 de fevereiro de 2009

FOSDEM - the hordes

Hordes of unpaid volunteers. Bunches of open source professionals. Lots of freedom activists. You get what you pay for. So this is what you get at FOSDEM. For free.

An open parliament at Brussels

It rocks to be in the crowd that is changing the paradigm of IT everywhere in the world. The opening session, by Mark Surman of the Mozilla Foundation, had something between 1000 and 2000 people attending. Mark stressed out that during 2008 Firefox reached around 200 million users and 4.5 million Linux netbooks were shipped. He defended the concept of hackable products where the user has the right to interact and adapt.

In the halls one could find booths from Mandriva, Suse, FSF, CentOS, Fedora, FreeBSD, Kde, Gnome, OpenOffice, Php... From the many interesting scheduled talks on the first day we were able to attend presentations for KDE 4.2, Sugar, LXDE and RandR1.3.

What to say about these desktops?

Ironic mode
KDE 4.2: will be stable tomorrow on today's computers
LXDE: will run fast today on yesterday's computers
Sugar: will run on slow computers but not on lazy users
/Ironic mode

Seriously, KDE 4.2 looks absolutely wonderful. It's a shame that so many things crashed on the presentation, which was allegedly ran on an unstable SVN version. Perhaps one should test things better before presenting them? LXDE looks good on the screenshots. I look forward to test it on a netbook to see how fast it runs. And Sugar is truly a learning platform. Even geeks have to stop to learn! The interface concepts are quite different from regular desktops. Once one gets familiar with the concept it really makes sense. We wonder how well that could fit in our national netbooks for students.

The Gnome love/hate message boards

From the second day we higlight the presentations about Prism and Fennec from Mozilla.org and some interesting collaboration solutions: Zarafa, an Open Source MAPI implementation and Groupdav, the minimalistic groupware protocol. These too solutions seem to follow opposite phylosofies. While Zarafa implements a full collaboration server Groupdav tries to be the thinnest complement to IMAP that one can imagine: HTTP 1.1 + 1 WebDav method. The protocol is not much more that storage, over HTTP transfers and standard calendar and contact formats.

The open source collaboration landscape is known to be heavily fragmented. There are way too many solutions none of which is widely deployed. It's not clear if and how things will converge from here.

On this second day of FOSDEM there was also time for discussing some Firefox-KDE integration issues, with people from both groups, which will hopefully be addressed sometime soon.

Congratulations to the FOSDEM team for organizing such a vibrant event to the community.

Note:



Thinkpads are a true object of desire for Linux people. They're everywhere at Fosdem, on different sizes and models. Shame on Lenovo for having dropped Linux support as Thinkpads are truly good machines. On the other side this means hello Dell.

FOSDEM - overbooking

FOSDEM will start tomorrow morning.

It's extremely hard to pick from so many interesting talks. From desktop software to programming languages, from embedded systems to databases, from Sugar to BSD and Open Solaris. It will all be there and running in parallel.

Meanwhile the place is already packed on Friday and one can feel an anomalous brainpower concentration in the air (despite the beer).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

OpenOffice em Portugal - nas bancas

Um facto que parece ter passado semi-despercebido, mas que na nossa opinião tem toda a relevância, é que em 2008 pela primeira vez um dos produtos Open Source mais populares na Internet está disponível nas prateleiras de qualquer centro comercial. É mais uma vez o Open Source a tocar timidamente os canais mainstream.

Falamos do livro de Nuno Rua intitulado "OpenOffice.org - O Office Livre" o qual pode ser adquirido em diferentes livrarias quer directamente na loja quer via web. O livro vem acompanhado de um CD com as versões do OpenOffice 3.0 para Linux, Windows e Mac.

Aqui ficam os links directos para o página do produto na Bertrand e na Bulhosa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Integrating legacy Windows applications on a Linux Desktop environment - II

On the previous article we covered the basics of integrating Windows applications on a Linux workstation network. We explained how an almost seamless integration could be acheived by combining Windows Terminal Services, rdesktop and virtualization.

There is, however, a potential problem to solve should we want to be confident on the smooth performance of the system. The terminal server is a multi-user machine. What happens if one process misbehaves and starts consuming all the CPU power? This is far more serious than having an application crash on a user workstation. Seems that we'd need an automatic way to "punish" misbehaving processes. In other words, we'd need process QoS or CPU shaping.

The solution we found is called Process Lasso. Process Lasso is a proprietary tool written by Jeremy Collake that monitors the CPU activity of each running process and lowers the priority of processes consuming too much CPU.

A proprietary tool on a Linux integration project? Well, if you already accepted running a Windows Server with proprietary applications on top, don't give up on the last mile that will save you from many headaches (one of which would be giving up your stable Linux workstations in case the terminal server solution is not reliable enough). Process Lasso is relatively low priced and the support from Bitsum has been excelent.

Although it supports complex settings like default priorities and CPU affinities, we found that with minor tweaking of the default configuration we were able to considerably improve the system behavior.


The most important window is the ProBalance Settings window, where the thresholds for Process Lasso actions are configured. On a setup with up to 20 users, each of them running the same two applications, we found the above settings to work well.

In the monitoring window we can see the CPU usage and responsivness. We can also see the Action Logs and discover which process IDs had to be de-prioritized and their corresponding users.


Process Lasso is a very useful tool and well worth the money it costs. Combined with the procedures suggested on the previous article it will help you integrating legacy Windows applications on your Linux network.

Note:

As for Linux, the kernel already lowers the priority of CPU intensive processes:

http://www.ibm.com/developerworks/linux/library/l-scheduler/

Watching how effective this is for a multi-user Desktop machine may be the subject of a future article.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Proxy transparente

O hype du jour, é nova iniciativa da ANSOL, Transparência na AP. Justiça seja feita: o ruído tem razão de ser.

A situação do Base era de facto anedótica, quer a nível da procura (que não funciona) quer a nível da paginação manual a partir da página 1 e sem acesso directo a páginas intermédias. Isto em mais de 300 páginas... Dado que apontar o dedo por vezes não resulta, a ANSOL chegou-se à frente, e bem, oferecendo o serviço ao país.

E é atendendo aos custos de mercado de desenvolvimento web que melhor se reconhece o valor desta oferta, baseada em tecnologias Open Source como Wordpress, PHP e MySQL.

O site funciona como intermediário para a informação do Base, com um interface de pesquisa que funciona em qualquer browser e sistema operativo.

No topo do bolo ficam as cerejas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

The role of ISVs

Retirada da magnífica compilação de textos "Evangelism is war", escrita por James Plomodom, tornada pública no contexto de um caso de antitrust e disponível para consulta aqui, esta imagem ilustra bem o que se passa no panorama nacional dos ISVs tradicionais de software.

O facto é que muitos ISVs, em lugar de promoverem produtos tecnologicamente neutros que se integrem bem em qualquer ambiente, preferem tentar impôr tecnologias específicas e métodos arcaicos, mesmo que ponham em causa infra-estruturas de grande qualidade já existentes. Ora isto nem sempre os ajuda, porque em cada discussão se descobrem sistematicamente as suas lacunas no que respeita a noções de administração de redes e sistemas. E cada vez que isto acontece aumenta a motivação para o melhoramento de soluções alternativas que mais dia menos dia lhes causarão dificuldades.

Os ISVs nacionais não raro compram uma guerra que não é a deles, em vez de se concentrarem a desenvolver e melhorar os seus produtos. Mas a dispersão é geralmente um erro que se paga caro.

Serão peões num campo de batalha? É impossível não nos lembrarmos disto.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Integrating legacy Windows applications on a Linux Desktop environment

In a ideal world every piece of client software is either:
  • web based, with standards based cross browser development
  • portable, developed with a cross platform language / toolkit (Java, Qt, Gtk+, WxWidgets, ...)
In the real world there's people developing fat clients, where a web interface would be the best way. There's people programming in .NET, delivering solutions to the customers that limit their OS choices to Windows. And there are public and private institutions buying without knowing how this may affect them in the future.

However, the situation has improved considerably with the arrival of fast, low-cost servers and virtualization technologies. Whereas Wine / Codeweavers are excellent solutions for popular applications whose upgrade cycle is very long (ex: MsOffice under Codeweavers) and can thus be certified, the general solution is more complex. In general, one may have to deal with not so popular applications that need frequent updates, or applications that just don't work under Wine.

The 3 key pieces for dealing with such software are:

1) Windows Server - enable remote access to monoplatform Windows applications with a terminal server setup
2) Vmware / Xen / ... - setup the Windows server as a VM on a stable Linux server
3) rdesktop - the wonderful open source terminal services client

The correct interaction of these components will enable transparent access to Windows applications from any Linux workstation without major breaking of a stable setup.

Arquitecture example

Dealing with Windows machines is a troublesome task in many ways . So one may wonder if dealing with a multi-user Windows machine will be a nightmare. It won't if some simple rules are followed:
  • no administration privileges for any regular user
  • minimal software installation
  • automatic startup of the desired applications
The last point is paramount, on preventing users from creating security stability and performance problems. Each user may need a single application or set of several applications. Depending on the case, the application executable or a batch file launching the desired set of applications should be configured on the user properties. With this procedure, the users never get to see the usual windows shell. They only see their applications and each session is terminated when the last window is closed.

Automatic application startup

The session startup can be perfectly integrated with a Linux desktop by creating a shortcut to rdesktop, invoked with the right command line arguments.

Some usage examples:

rdesktop -g 1024x768 -a 16 -k pt 192.168.0.18

Connects to 192.168.0.18 with a window size of 1024x768 pixels, 16 bit color and portuguese keyboard layout.

Server login session
rdesktop -g 1024x768 -a 16 -k pt -u User1 -p MyPassword 192.168.0.18

Same thing but enabling seamless login.

rdesktop -g 1024x768 -a 16 -k pt -u User1 -p MyPassword -r printer:PSC1410='Apple LaserWriter 12/640 PS' 192.168.0.18

Same thing but making the local PSC1410 printer queue available on the terminal server.

This is a great feature of rdesktop: one can forward all locally configured CUPS printer queues without having to install any driver on the Windows machine. That is possible because windows ships with some old postscript drivers, like Apple LaserWriter, and CUPS expects to receive postscript from any application. This can't be done with the Microsoft remote desktop client, which requires the installation on the terminal server of all the windows drivers corresponding to the local printers.

Several printers can be passed on the command line and all of them will be available for the Windows applications. It is also possible to have a local directory available as a Windows share on the server using the right command line arguments.

By using a desktop icon to automate the startup of rdesktop one can seamlessly integrate Windows applications on Linux desktops without even the users noticing that there are two different operating systems in use. With this kind of setup one can benefict from the stability of the Linux desktops without sacrificing access to specific applications that may be needed. Surely the CAL and Terminal Service licences are costly and web / portable applications are the preferred way. However, when using Windows is unavoidable, a terminal server is a much better solution than a network of Windows workstations.

We have used this kind of setup in production with both local machines and VPN clients. The performance and stability are satisfactory.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Linux discreto

Pontos de venda automáticos do Jumbo, aparentemente fornecidos pela empresa brasileira ITAUTEC.