
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Equipa da Vortal excomungada por Bento XVI

quarta-feira, 18 de março de 2009
Nokia estreia Music Store com forte aposta em conceito de comunidade
Via Tek.
Notícia relacionada: pioneiros.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Conta-me como foi - largura de banda upstream
Com a chegada de serviços 100/10 (Clix), 100/6 (Cabo) e as tão faladas "redes de nova geração", a questão parece bem encaminhada em Portugal. Curiosamente, a discussão veio reacender-se na Austrália envolvendo a Telstra. Segundo a empresa os clientes com o serviço de 100Mb "não estão interessados em mais de 2Mb de upstream". A dicussão pode encontrar-se aqui.
Aqui fica uma imagem, já anteriormente usada neste blog, que ilustra como é fácil saturar o uplink de um serviço 24/1 (e que portanto é essencial ter o QoS bem configurado).
sábado, 7 de março de 2009
O Expresso também dá erros, ou a lei da acção-reacção.

Ora, quiçá a primeira reacção a uma acção triste, mas necessária, já se faça sentir. Será?
Noticia o Expresso, em primeira página, que os "Jogos educativos do Magalhães estão repletos de erros de Português". De facto, aparentemente o pacote GCompris tem, na sua tradução para Português incluída no Magalhães, erros cuja gravidade é de lamentar e que justificam correcção imediata. Os responsáveis devem actuar sem hesitações.
Mas o Expresso toma a parte pelo todo. O Magalhães é um projecto que inclui dois sistemas operativos e centenas de componentes de software. Os erros foram identificados num componente específico que não representa a globalidade da solução. Negligencia, desta forma, o Expresso todo o esforço posto em prática por diferentes empresas e instituições para montar a oferta de software do Magalhães.
E a forma emotiva como está escrito o artigo não ajuda: na ânsia de criticar, esqueceu-se o Expresso da objectividade e frieza necessária para lidar com notícias de primeira página. É que o referido "emigrante com a 4ª classe" que fez a tradução tem, para além da 4ª classe, um curso de Filosofia e outro de Informática sendo profissional de TI em França, onde estudou e reside há muitos anos.
De facto, José Jorge, para lá da sua actividade profissional ligada às TI e de estar envolvido no projecto GCompris, é packager de software para Linux. Tudo matérias que tanto quanto se sabe não fazem ainda parte do 1º ciclo do ensino básico.
Errar é humano. Para o Expresso, sai uma palmatória.
Update: há mais informações aqui.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Conta-me como foi - DVD em Linux
Decorria o longínquo ano de 2000 e o DVD era a última moda audiovisual. O salto qualitativo em relação a tudo o que existia anteriormente era gigantesco e a tecnologia DVD fez sucesso quase instantâneamente. Mas ver DVDs em Linux era ainda bastante complicado.
Havia na altura dois desafios principais:
- aceder ao conteúdo do DVD ultrapassando um tipo de DRM, chamado CSS, presente em quase todos os DVDs comerciais
- implementar um decoder de mpeg2 que funcionasse bem nas máquinas da época
O DeCSS foi posteriormente substituído pela libdvdcss a qual é agora alojada abertamente no site do projecto VideoLan. A libdvdcss implementa um ataque brut force, ao sistema CSS (que se mostrou ser criptograficamente fraco) e permite ignorar a restrições às zonas oficiais dos DVDs.
É preciso salientar que uma das motivações do desenvolvimento destas tecnologias era permitir a reprodução DVD com software Open Source, nomeadamente em Linux, uma vez que a forma tradicional de o conseguir era adquirindo uma chave criptográfica ao já mencionado consórcio da indústria chamado CCA. Ora esta situação era claramente incompatível com a existência de um player Open Source e bastante injusta para o consumidor que, já pagando o valor de cada DVD, não deseja certamente que lhe seja imposto o sistema operativo e o software com que o vai ler. Após demorada polémica a julgamento terminou sem qualquer condenação considerando-se que a prática não era contrária à lei.
No entanto este processo veio chamar a atenção para o recorrente esforço de algumas associações da indústria em restringir a forma como são usados produtos legalmente adquiridos como forma de prevenir potenciais usos ilegais. Em questão esteve sempre o direito de um indivíduo poder aceder ao conteúdo de um DVD, por ele legitimamente adquirido, mas a indústria montou uma campanha no sentido de insinuar que apenas se defendia contra cópias ilegítimas. Ora para fazer cópias ilegítimas de DVDs nunca houve necessidade de ultrapassar as protecções: basta fazer uma cópia integral do disco original a qual funcionará sem problemas.
O segundo dos desafios, aparentemente mais fácil de superar, demorou algum tempo a ser ultrapassado. A tal ponto que toda a discussão sobre o DeCSS aparentava ser fútil dado não existir à data nenhuma implementação funcional que deste fizesse uso.
É também de salientar que na altura o hardware disponível estava no limite mínimo necessário para esta tarefa. Havia máquinas PII a 400 mhz que ainda se engasgavam com o ATI DVD Player em Windows, tal como havia máquinas PII 300 mhz que funcionavam fluidamente em Linux. Tudo isto dependia da qualidade e performance das boards (CPU e IO) bem como da placa gráfica sendo que na altura a Xv extension, essencial para fazer offload do CPU nas operações de scaling e colorspace conversion, não estava generalizada (existia inicialmente para placas Matrox, seguindo-se as ATI, estando hoje presente em quase todos os drivers do Xorg).
A primeira tentativa de DVD player open source era o OMS que infelizmente nunca funcionou bem. Posteriormente surgiu o projecto Xine, liderado na altura por Guenter Bartsch, que logo nas versões iniciais conseguiu estabilidade e performance aceitáveis na reprodução de DVDs. O projecto Xine utilizava a libmpeg2, algum código do OMS e oficialmente só suportava DVDs não cifrados.
No entanto um tal da Captain CSS lançou na web um plugin que permitia reproduzir DVDs cifrados no Xine. Não tardou que alguns sites começassem a distribuír o player completo, pronto a funcionar:
http://lists.blu.org/pipermail/discuss/2001-January/008408.html
http://web.archive.org/web/20010309015840/http://gape.ist.utl.pt/ment00/linuxdvd.html
http://web.archive.org/web/20010801165028/http://gape.ist.utl.pt/ment00/linuxdvd.html
Em Janeiro de 2001 a repdrodução DVD em Linux era uma realidade. Os DVDs já funcionavam a nível básico estando algumas funcionalidades como as legendas e navegação nos menus em desenvolvimento. Para além do Xine projectos como Videolan, o Mplayer e o Ogle começaram igualmente a apresentar resultados.
Xine - o primeiro DVD player open source. A sua base (libxine) é hoje utilizada por diferentes playersNesse mesmo ano em Abril, A VIII Semana Informática do IST albergou uma exposição intitulada "Linux como solução Desktop", algo claramente muito avançado para a época... e convidou um representante do projecto Xine apresentar o projecto. O developer em questão foi Siggi Langauf que se deslocou de Estugarda para falar no primeiro dia do evento.
Actualmente existem múltiplas soluções para reprodução DVD em Linux entre o Xine, Mplayer, Ogle e os diversos front ends disponíveis em versões Gtk, Gnome, KDE, etc. As libraries necessárias (libdvdcss, libdvdread, libdvdnav) nem sempre são incluídas pelas distribuições mas estão geralmente a poucos clicks de distância através de pacotes pre-feitos para cada distribuição alojados em repositórios não oficiais.
A batalha pelo direito à reprodução DVD em Linux foi vista como mais uma batalha pela liberdade do consumidor e um exemplo de como a força bruta centralizada dificilmente derrota a inteligência distribuída. Foi uma batalha ganha, em tempos mais difíceis do que os de hoje, mas que importa recordar pois deverá dar o exemplo para as próximas. A garra e persistência de quem trabalhou dias e noites para juntar todas as peças deste puzzle é uma incomparável fonte de inspiração.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Microsoft, Tom Tom e as patentes de software
Relembre-se que a Microsoft, no decurso da normalização do OOXML, se recusou a ceder as patentes da tecnologia utilizada preferindo emitir os famosos "covenant not to sue" (nos quais acredita quem quiser) e referir-se em vagos termos ao RAND (Reasonable and Non-discriminatory) que a ISO nunca chegou a explicar publicamente. E na tão anunciada iniciativa de interoperabilidade de 2008 pouco mais fez do que tentar diferenciar o acesso às especificações para fins não comerciais do acesso para fins comerciais, algo que a nível do ecossistema Open Source não faz sentido algum.
Num contexto em que a concorrência começa a dar sinais de crescimento, a crise incentiva a descida de preços e se generaliza o conhecimento das práticas anti-concorrenciais da empresa, tudo indicaria que a Microsoft se fosse dedicar a acrescentar valor aos produtos, justificando assim a escolha dos clientes mais fiéis e posicionando a sua oferta como superior à concorrência.
No entanto opta-se mais uma vez pelo brut force approach que, independente do resultado a que conduza, irá ceramente indispôr muito gente e trazer mais alguns gastos de imagem. Relembre-se o fiasco da SCO.
Nos próximos tempos irão certamente multiplicar-se artigos a explicar como as patentes alegadamente infringidas incidem sobre ideias perfeitamente banais, como as patentes de software inibem a inovação em vez de a proteger, que já existe prior art, etc. E isso é tudo verdade. Mas para além disso há que não menosprezar um facto: a Microsoft ataca directamente uma empresa de que os consumidores - incluindo clientes Microsoft - gostam. E isso não dá boa imagem na era da Web 2.0.
A seguir pode processar o Google, o Yahoo, a Apple, o Sapo, a Red Hat, a Linux Foundation... mas é um processo que só conduz ao isolamento e à imagem do bully kid que quer o recreio só para ele nem que para isso corra com todos à força.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Percepção e realidade
Leva isto a questionar se as pessoas aceitarão mais facilmente a mudança de sistema se esta não fôr uma mudança de marca. Mudar para KDE 4 parece difícil, mas se lhe chamarmos Windows 7 a dificuldade será vista como natural. Que efeito terá isto sobre a curva de satisfação?
Em baixo está o vídeo da ZDNET. Ver para crer.

