quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Caixa Mágica: Governo de A a Z
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Programas eleitorais vs Tecnologia Aberta
Frequentemente somos confrontados com a difícil questão de expôr ideias sobre tecnologia a decisores políticos muitos dos quais, por diferentes razões, são impermeáveis a qualquer explicação. Não é fácil descrever os conceitos relacionados com Open Source, Normas Abertas e a forma como estes dois conceitos são distintos, independentes e complementares. Mais difícil ainda é explicar qual o impacto negativo do actual monopólio em certos aspectos das TI e como algumas acções simples incisivas o poderiam resolver. E quando alguém finalmente compreende, será fácil propagar essa explicação à respectiva família política?
Entre os extremos do “ignoro, não quero e falta-me tempo para pensar nisso” e o “conheço, compreendo e tenho na agenda” existem porventura diferentes graus de cinzento no nosso espectro político. Interessa pois analisar que tipo de propostas existem nos programas eleitorais para as Legislativas que se avizinham.
Antes de o fazer é importante termos em mente algumas coisas
- o facto de algo estar num programa eleitoral não significa que seja implementado
- o facto de algo estar num programa eleitoral não significa que seja bem implementado
- o factor de algo não estar num programa eleitoral não impede que seja implementado
Como se sabe o actual Governo do Partido Socialista teve alguns méritos importantes nesta matéria, por exemplo, criando condições para a coexistência de várias ofertas de software nos programas e.escola e e.escolinha (aka Magalhães), sem se limitar à opção default que faria destes projectos veículos de distribuição do “fornecedor único”. Este passo deveria ser considerado normal e natural em termos de neutralidade tecnológica, mas dadas as condições iniciais da realidade portuguesa merece ser reconhecido como um passo corajoso e pioneiro. Mais recentemente começaram a ver-se alguns pequenos avanços fruto da assinatura do protocolo com a ESOP/AMA em 2008, que poderão eventualmente ser alargados mais tarde, se para tal houver vontade. Serão estes méritos isolados de cada projecto ou o resultado de uma visão estratégica?
Importa ter em mente que um programa eleitoral representa, em princípio, um consenso alargado dentro do partido que o propõe. Portanto, a presença de certas matérias no programa de um determinado partido sugere uma sensibilidade mais generalizada do que iniciativas pontuais que aconteçam em função de vontades “isoladas”.
Vejamos então o ponto de situação dos diferentes programas eleitorais:
| Partido | Propostas |
| Bloco de Esquerda | Rejeição das patentes de software, software livre na Administração Pública, interoperabilidade |
| CDS/PP | Não contém nenhuma referência (nota: o programa está em flash, não é pesquisável) |
| CDU | Rejeição das patentes de software, promoção do software livre e formatos livres |
| PS | Não contém nenhuma referência |
| PSD | Não contém nenhuma referência. |
Neste momento ainda não estão disponíveis os programas do CDS/PP e PSD, os quais lamentavelmente só estarão prontos no final de Agosto a um escasso mês das eleições. [Update 03/09: já se encontram disponíveis].
No entanto, é um facto conhecido que são os partidos mais à esquerda que se encontram tradicionalmente bem informados em relação a esta matéria. Isto tem sido demonstrado por diversas vezes, não só nos programas, como na actividade parlamentar mas também em posições públicas (ver por exemplo o Projecto de Resolução 227/X e Projecto de Lei 557/X ambos da autoria de um conjunto de Deputados do PCP) . Mas este é um dado meramente empírico, que não vejo como alinhar com nenhuma ideologia política.
A Tecnologia Aberta reforça a posição do Estado enquanto consumidor: será uma ideia de esquerda? A Tecnologia Aberta é boa para as PMEs: quiçá uma preocupação de direita? As Normas Abertas são o enabler da competitividade no mercado: não deveria ser uma preocupação geral?
Não há portanto nenhum processo ideológico que justifique a situação. Se os partidos de esquerda, estão mais informados nesta matéria é apenas porque se informaram melhor. Se apoiam é porque vêem vantagens. Se os restantes partidos fossem contra fariam campanha pelo software proprietário e formatos fechados. Na prática pouco ou nada têm dito sobre o assunto.
Tive oportunidade durante o evento Novas Fronteiras, em que o Partido Socialista recebeu sugestões para inclusão no programa eleitoral, de apelar à utilização das normas abertas em Portugal. Concretamente, com algum esforço de simplificação, expus o seguinte:
Portugal 2.0 – normas abertas e interoperabilidade
A web 2.0 mais do que uma buzzword foi uma revolução. A revolução que nos trouxe aplicações como a Wikipedia, Google Maps, Facebook, Twitter, Firefox, Chrome, Delicious entre outros. A geração da web 2.0 reconhece a pluralidade e diversidade de aplicações e sistema operativos e mostrou que é dessa pluralidade que nascem a todo o momento as inovações mais interessantes. Mas as TI em Portugal – por analogia – encontram-se ainda em larga medida na sua versão 1.0 com muitas aplicações não portáveis – presas a uma dada plataforma – bem como protocolos e formatos proprietários que não garantem o acesso universal aos dados. Incidentes recentes com aplicações desenvolvidas no âmbito de serviços públicos nacionais vieram evidenciar que a monocultura implantada e o desconhecimento de princípios elementares de interoperabilidade originam situações que restringem o acesso generalizado a estes serviços e impõem graves condicionamentos ao mercado.
Propõe-se melhorar a competitividade no mercado das TI incentivando e apoiando o uso de tecnologias multiplataforma e de formatos abertos, aproveitando o enquadramento Europeu que já existe sobre essa matéria e tendo em conta o que já foi implementado noutros países Europeus. As TI de um Portugal 2.0 deverão utilizar standards abertos e tecnologias multiplataforma para quebrar todas as barreiras de comunicação entre instituições, empresas e cidadãos.
Creio que para além de algum desconforto manifestado na mesa ao lado a proposta não gerou eco por aí além. É pena. Acredito que mais do que falta de vontade ou dinamismo (que em diversos aspectos devemos elogiar no actual Governo) o que falta é sensibilidade e visão em profundidade destes assuntos.
Mais recentemente nas duas Blogconf organizadas primeiro pelo Partido Socialista e depois pelo Bloco de Esquerda) o tema da Tecnologia Aberta veio à baila. José Socrates respondeu a Paulo Trezentos. Francisco Louçã respondeu a Rui Seabra. Dos dois diálogos transparece imediatamente que enquanto José Socrates tem o pensamento centrado numa expressão que o ouvimos repetir centenas de vezes “o computador”, Francisco Louçã vê para além disso estando à vontade com “propriedade intelectual”, “software livre” e “normas abertas”. Quando José Sócrates afirma como muito positivo que a Microsoft instale em Portugal centros de competências não tem disponível para ponderação uma estimativa, mesmo que simplista, das consequências negativas para o mercado da monocultura actualmente instalada. Talvez não tenha sequer a percepção dessa monocultura. Louçã por outro lado, até tem presente quanto se gasta em licenças para a Assembleia da República.
Esta percepção é importante. De cada vez que somos mal atendidos, ou não somos atendidos de todo, num hospital público talvez nos devamos questionar como se podem gastar via ajuste directo milhões de euros dos nossos impostos sem ponderação de alternativas. Haveria muitos exemplos destes para referir, e muitos outros para procurar em http://transparencia-pt.org mas basta por exemplo termos em mente esta adjudicação de quase 10 milhões de euros para nos interrogarmos sobre a causa de certas coisas.
Seguramente não é fácil ser-se Primeiro Ministro, tendo que dominar sem gaguejar, as ideias gerais de Energia, Economia, Tecnologia, Saúde, Educação e ainda lidar com o funcionamento da política em Portugal. E não se pode exigir que toda a gente domine tudo a 100%. No entanto José Sócrates já deixou claro que a tecnologia é para ele uma prioridade e portanto aí deveria demonstrar uma muito melhor sensibilidade ao pormenor. A visão simplista de “o computador” ou “o milhão de computadores” esconde nuances que nos podem tornar grandes nos números mas atrasados no conhecimento, na independência tecnológica e na inovação que tanto desejamos.
É aqui que entra a questão do consenso alargado versus iniciativas isoladas. Muito provavelmente o Primeiro Ministro não se encontra suficientemente bem enquadrado com colaboradores com diferentes visões da Tecnologia. Isso significa que embora possam existir iniciativas isoladas com muito mérito e bons resultados a sensibilidade para estes assuntos não se desenvolve nem se generaliza dentro do seu partido. E o inocente deslumbramento perante a gigantesca Microsoft permanece, com a monocultura e as suas consequências [1,2,3,...]. Talvez neste aspecto o Conselho Consultivo parte da proposta inicial Projecto de Resolução 227/X mas inviabilizado pelo PS em 2007 fizesse sentido, permitindo alargar horizontes em matéria de tecnologia. Um assunto para voltar a debater?
Por tudo isto quem se interessa por Tecnologia Aberta deve em tempo de eleições examinar com cuidado o track record de cada partido na matéria mas também observar os programas eleitorais no sentido de formar as suas expectativas. Independentemente de qualquer opção política, que tem que ser ponderarda olhando a muitas outros aspectos, a minha expectativa pessoal é de que o próximo Choque Tecnológico não seja uma colisão frontal mas sim um incisão inteligente e cirúrgica que introduza as Normas Abertas, interoperabilidade multiplataforma e soluções Open Source como opção nos sistemas públicos. São aspectos nos quais uma boa parte da Europa já avançou e em que Portugal não deve ficar para trás.
Nota:
Este post será actualizado quando estiverem disponíveis os programas do PSD e CDS/PP.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
File sharing em Português Suave - artigo de verão

sexta-feira, 24 de julho de 2009
Calendário Open Source 2009 - actualização
- Java PT 2009 - 17 de Setembro
- Encontro Nacional de Tecnologia Aberta (Linux 2009) - 24 de Setembro
- Jornadas de Software Aberto para SIG - 2 a 4 de Novembro
- Conferência anual do OpenOffice (OOoCon) - 3 a 5 de Novembro, Orvieto, Itália
- Formações ESOP/AMA - Entre Abril e Novembro [lotação esgotada]
Publicaremos mais informação sobre alguns destes eventos quando estiver disponível.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Overunderdoing: patterns in Microsoft's interoperability stance
Overunderdo
To achieve good things to the extent that they can be loudly announced but to a slightly lesser extent than would actually make them useful.
It looks like Microsoft is reinventing itself. After years and years of isolation on its self ruled monopoly the company now desires to interoperate with everyone else. Or does it? We will never know. What we know is simply what can be inferred from the information that reaches us. And our evaluation depends on whether we focus on the titles or we examine the fine print instead. Why does every announcement leave a deja vu sensation in the air?
It's currently very uncool to be anti openness. Open is nice, open is 2.0. Wikipedia, Firefox, Creative Commons, Google, Linux, you name it. But openness can kill a monopoly, as it imposes merit based competition. Unfortunately, unless a way is found to bring Quantum Mechanics to the IT market, it's physically impossible to be Open and Closed simultaneously. But can one remain closed while appearing to be open?
Well, if we're talking about interoperability it has been done. Or tried. We could call it overunderdoing. Here's the algorithm:
pick one interoperability concern
solve it up to 85% (percentage may vary)
wisely choose the 15% to leave out so interoperability can be said to work but with constant annoyances
make a loud announcement to the press
profit: everyone will read the announcement but only a small fraction of such readers will notice the missing bits; despite the claimable advances over the previous situation it still won't be practical to make any use of the announced interoperability
While this is obviously not a perfect plan, the less informed the audience the more likely it will work. Often, the left out 15% are subtle, sometimes only noticeable when testing / implementing. Most announcement readers will read and move on with their daily work. That's how it works.
Let's look at some examples.
By the end of 2006 Microsoft decided to submit OOXML to ISO. The specification was indeed mostly open but:
it was underspecified in the details (attributes like AutoSpaceLikeWord95 were impossible to implement)
it was redundant as there was already another standard for documents (ODF)
it was neither patent free nor royalty free (this is still somewhat unclear now)
there was no multi platform implementation (interoperability was unproven)
Still, at a first glance it sounded a good move. People said: wow! Dozens of them, some with very important social roles, wrote support letters for OOXML. The trust levels were so high that people from public institutes without any interoperability experience applied to the local Technical Committees just to vote for Microsoft. Some more informed people wondered: why not supporting the already existing multiplatform ODF? Why do we need several standards? How it went from there everyone knows by now.
Some months later, in 2007, Microsoft announced Silverlight, a cross-browser, multiplatform “solution for video and interactivity”. But guess which platform was left out? For the Silverlight 2 announcement they claimed they'd support Linux. However, as of May/2009 the Linux support, which is developed by Novell not Microsoft, is still in Beta. This means double profit: announcing that Linux support will be taken care of sounds good while leaving the “relatively few” users they expect on Linux without a solution that works for Silverlight based websites. The more Silverlight the less Linux. But if pressure mounts they can still point people to the Moonlight website which eventually will have a stable implementation, one day.
Another example was this interoperability announcement that got very popular in the Press. This happened after the company was fined by the EU and sounded like an opportunity to save face. Again, it was received with quite some praise within the IT crowd in general but the Open Source community, one claimed target of the initiative, quickly read this as a useless PR stunt. In fact the interoperability terms introduced a difference for free and commercial uses, something that is definitely not the way Open Source works. No Open Source project will sacrifice freedom of use for any patent encumbered Microsoft specification.
Finally we arrive the major announcement in 2009: Microsoft Office 2007 SP2 supports ODF. This is huge. A great headline! Despite all the OOXML mess Microsoft supports ODF first. But you can't exchange any basic spreadsheets between Office 2007 SP2 and any other ODF producer because not even the most basic 2+2 SUM() is compatible. Unbelievable? Maybe. But it's true and they don't even deny it. Regardless of all the existing ODF implementations (Open Office, Symphony, Koffice, odf-converter, Sun ODF Plugin) Microsoft handled formulas on their own incompatible way. There's no possible excuse for this. Even odf-converter, wich is co-developed by Microsoft, managed to play nicely with the others.
It's clear that all these examples match the same pattern. Now the question is: how long will they manage to fool everyone? I have to admit that in many countries this strategy works well enough. Many important people in Portugal were convinced that OOXML and the interoperability announcement were honest and transparent initiatives. What will they think in face of this ODF implementation nonsense? Haven't things gone too far?
We should feel tired of being fooled by now, even if we're being so smartly fooled.

