sábado, 8 de janeiro de 2011

A viagem do Elefante

Os internautas Portugueses descarregam filmes da Internet. A associação de clubes de video descarrega caixotes de papel na Procuradoria. Não se sabe se alguma destas descargas é crime mas o que se vê, entre esgares de gozo e incredulidade, é toda esta gente contar espingardas. Ocupa-se este texto de relatar não o que aconteceu, porque isso na verdade não sabemos, mas o que, segundo a razão e a lei dos grandes números, podia bem ter acontecido.

Estava-se no dia do comunicado. Talvez a dita associação saiba o que diz. Mais vale comprar ou alugar o filme online, pensou, do que ir catar torrents e legendas e apanhar uma seca valente até conseguir ter algo que se veja. E assim sempre ganham qualquer coisa. Foi animado deste sentimento despesista que se dirigiu o intrépido internauta ao site da associação. Com o MBNET em punho e os EUR a querem saltar da conta como pipocas no microondas, o sangue fervia-lhe nas veias com a expectativa de obter de forma cómoda o mais recente blockbuster. Vai-se a ver e a ideia não era essa. Era outra diferente. A ideia, se é que a esta pré-histórica lembrança se pode sequer chamar ideia, era despir o pijama, descer as escadas, dar corda ao motor para rumar a um tal de clube, escolher um filme, a seguir levá-lo para casa e voltar mais tarde para entregá-lo. Do site constavam 4 ou 5 dos tais clubes de diferentes zonas do país. Incrédulo, esfregou os olhos. Foi ver melhor. O site já estava em baixo.

A meio da estridente gargalhada lembrou-se dos problemas com o DRM dos ebooks e das BDs do Achille Tallon que já não se conseguem comprar em Português, salvo em edição pirata digitalizada e impressa por conta própria. Lembrou-se dos sites das televisões nacionais em que encontrar seja o que fôr é fácil para o Sherlock Holmes e do tvtuga.com em que – legal ou não – tudo aparece organizado e a funcional. Lembrou-se do Ensitelgate e da guerra da Sony com os utilizadores da Playstation 3. Acercou-se de si a ideia de que as comunidades se organizam para pôr a funcionar as coisas que lhes dão jeito. A esta, juntou-se a impressão de que algumas corporações não querem vender as coisas de que as pessoas gostam. Querem, ao que parece, vender o que lhes convinha que as pessoas gostassem. Veja-se, por exemplo, como era bom se as pessoas gostassem de comprar MP3 com protecção de cópia ou achassem que gravar filmes numa box cujo disco rígido pode avariar a qualquer momento, sem que do conteúdo se possa fazer um backup, é uma ideia genial.

Sorriu imaginando-se a levar o país ao mecânico apenas para ouvir a resposta: "olhe que não tem arranjo, agora só um país novo". "Guardou" o MBNET e puxou do Vuze.

Isto de sugerir aos outros façam o contrário do que querem nem sempre é uma ciência exacta. Torna-se difícil quando os outros são muitos ou quando são teimosos. É quase sempre mais fácil cobrar do que contrariar. Está claro que para cobrar é preciso prestar serviço e se o serviço de aluguer ou compra de filmes online existisse em Portugal haveria moral para condenar quem o não usasse. Mas se o serviço de aluguer de filmes obriga a uma mensalidade fixa (MEO, etc) ou a despir o pijama e ligar o carro, creio ser seguro afirmar que os internautas já têm um melhor. É um que não demorou 10 anos a aparecer.

No fundo, o problema dos internautas gostarem da Internet, e portanto de fazer downloads, é semelhante ao dos gourmets gostarem de comida, ou dos fanáticos da ferrovia gostarem de andar de comboio, com a diferença que aos demais nenhuma associação ainda tentou tapar a boca ou bloquear um túnel a meio da viagem. Interrogo-me se um dia alguém quererá proibir os comboios e obrigar-nos, por decreto, a ir ao Porto de elefante. Seria um inaceitável retrocesso pela lentidão e desconforto mas também uma fraca ideia de negócio já que hoje em dia se vendem muitos bilhetes de comboio.

E quem nunca esteve de trombas que atire a primeira pedra.

“Enrolando com a tromba uma porção de forragem que bastaria para satisfazer o primeiro apetite de um esquadrão de vacas, salomão, apesar da sua vista curta lançou-lhes um olhar severo, dando claramente a entender que não era um animal de concurso, mas sim um trabalhador honrado a quem certos infortúnios, que seria demasiado longo relatar aqui, haviam deixado sem trabalho […].”

José Saramago, A viagem do Elefante



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

3 anos deste blog

Este blog fez 3 anos. Não vamos lançar fogo de artifício nem abrir Champagne, mas não deixaremos passar a ocasião sem uma breve nota.

Começámos a 12 de Dezembro de 2007 com o objectivo de ter um meio de comunicação mais informal para interacção com a comunidade Open Source. A Angulo Sólido, enquanto entidade com fins lucrativos, não se esquece da comunidade que lhe deu (quase) todas as ferramentas que tem e por isso mesmo faz questão de partilhar com todos algum do conhecimento acumulado ao longo de vários anos de existência.

Ao longo destes 3 anos tem-se investido algum esforço em contribuir com procedimentos, scripts, tutoriais e pontos de vista. É agora altura de fazer um apanhado informal de alguns factos importantes da nossa interacção com a comunidade.

Top ten
Das quase 30 000 visitas que tivemos até agora, o Top Ten dos posts mais populares é o seguinte:

Top ten de páginas
Pageviews Unique Pageviews
The Linspotting project - Linux video editing workflow ready for action 6689 5235
Firefox 3 GTK+ 2.10 horror show - open question to the Mozilla Foundation 3622 3375
Integrating legacy Windows applications on a Linux Desktop environment 1600 1462
Projecto Linspotting - Workflow de edição de vídeo em Linux Caixa Mágica 998 799
Firefox 3 GTK+ 2.10 horror show - community response 946 863
Overunderdoing: patterns in Microsoft's interoperability stance 915 847
Integrating legacy Windows applications on a Linux Desktop environment - II 741 684
Programas eleitorais vs Tecnologia Aberta 727 642
FOSDEM - the hordes 548 482

Agregando alguns temas deste top 10 ficamos com 7687 visitas relacionadas com o projecto Linspotting, 4569 sobre o problema do Firefox 3 + GTK 2.10 e 2341 da temática de integração de aplicações legacy em ambientes Linux. Todos os posts do top 10, à excepção do "Programas eleitorais vs Tecnologia Aberta" foram referenciados por sites internacionais e portanto acumularam visitas de diferentes países.

As nossas escolhas
Fora do Top Ten apresentado acima existem alguns posts que na nossa opinião têm especial interesse. Fizemos uma selecção informal para a comemoração dos 3 anos do blog realçando posts de diferentes categorias.

Para a categoria de política escolhemos

Things have names, changes have reasons

Este post versa sobre a polémica à volta dos zigue-zagues de European Interoperability Framework 2.0, assunto a que voltaremos brevemente.

Para a categoria de (bom ou mau) humor selecionamos

File sharing em Português Suave - artigo de verão

Para a categoria de primeiro de Abril temos

Internet Explorer 6 disponível para Linux e Mac


E para a categoria de irritações crónicas escolhemos

Gente com fibra
Comunicações em Português Suave - artigo de inverno

Browsers e SOs
No que respeita às estatísticas de browsers e sistemas operativos nada faria esperar que este blog andasse perto dos valores de referência de mercado. No entanto, é sempre interessante observar a análise do Google Analytics. O Firefox representa 55% dos acessos e a plataforma Linux 44% dentro dos SOs.

Análise de visitantes por browser

Análise de visitantes por sistema operativo

Temas futuros
Ainda não temos uma agenda definida sobre o conjunto de temas a abordar futuramente neste blog. No entanto se houver alguns temas em especial que a comunidade gostasse ver tratados, estamos sempre receptivos a saber. Até sempre!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Normas abertas em discussão na Assembleia da República

No próximo dia 9 de Dezembro a adopção de Normas Abertas nos sistemas informáticos do Estado irá ser debatida na Assembleia da República. Estão em cima da mesa, propostas de 3 partidos: PCP, BE e um projecto de resolução do CDS-PP.

A ESOP tomou posição em comunicado (PT, EN). A notícia foi publicada no Obervatório Open Source da União Europeia (link) e em diversos sites nacionais e internacionais.

Agora que toda a gente fala de "inovação e competitividade" será interessante ver quem está disposto a tomar uma simples medida concreta que nos empurre nessa direcção. A ESOP apresentou uma compilação de afirmações proveniente de alguns dos países mais desenvolvidos da Europa que vale a pena consultar (link).

Neste momento não é ainda conhecido o sentido de voto dos partidos maiores - PS e PSD - mas é importante ter em mente que a adopção das Normas Abertas é uma promessa eleitoral do PS, conforme se pode constatar na resposta enviada à ANSOL antes das últimas eleições legislativas: "O Partido Socialista defende a utilização de Normas Abertas e a interoperabilidade".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bridged mode for dummies

Tem-se verificado recentemente da parte dos operadores de telecomunicações uma tendência mal explicada para apresentar aos clientes equipamentos de rede com as configurações bloqueadas, que os impedem de tirar partido de diversas funcionalidades. No que nos diz respeito, a principal funcionalidade perdida nestes casos é o modo bridged, também conhecido como bridged mode.

Este assunto foi abordado num post relacionado com a Vodafone Portugal, referindo-se a um problema agora em vias de resolução. O presente artigo explicará sucintamente a importância da configuração em modo bridged, importância essa que lamentavelmente tem sido esquecida por diversos operadores. Suspeita-se, ainda que sem bases científicas, que haja na génese destas situações mais dedadas de gestores do que de Engenheiros de redes... Seja como for segue-se a justificação detalhada de quem gere largas dezenas de acessos à Internet com equipamento certificado e baixíssima taxa de falhas.

Para começar uma questão conceptual:

O cliente tem direito ao IP público, a fazer dele o que quiser e atribuí-lo ao equipamento que preferir. O IP público é o ponto central de um acesso à Internet. E o modo bridged já existia muito antes de os routers com NAT serem sequer um equipamento banal de consumo. Se o ISP só fornece o IP público amarrado a um equipamento bloqueado está à partida a oferecer meio serviço!

Passando a questões mais práticas que afectam as empresas fornecedoras de TI, ou pelo menos as que se esforçam por prestar serviços que não falham.

1) Uniformidade

Empresas que fornecem serviços de TI têm a sua performance influenciada pela capacidade de efectuar configurações standard com a menor probabilidade de erro humano possível. No entanto, não podem impedir os clientes de escolherem o seu acesso à Internet da forma que o entenderem. É bom de ver que se cada cliente tiver um modelo de router diferente (seja cabo, adsl, fibra, etc) as configurações que possam ser necessárias para acesso remoto (port forwarding, dns dinâmico, etc) não se conseguem uniformizar. Torna-se virtualmente impossível educar uma equipa e cada configuração/modificação torna-se um processo ad-hoc, que pelos riscos inerentes a tudo o que é ah-hoc, obriga a deslocações de pessoal qualificado.

Resultado: sobem os custos e desce a qualidade.

2) Estabilidade

No mesmo cenário referido em 1), se cada cliente tem um modelo de router diferente como se consegue ter garantias de estabilidade? Qual o tempo médio entre falhas do equipamento? Qual o número de ligações TCP simultâneas que consegue gerir sem esgotar a memória?

Sempre que o equipamento falha o telefone toca e diz-nos "não temos Internet" com as óbvias consequências para a nossa imagem e os inaceitáveis procedimentos de "reset ao equipamento".

Resultado: serviço de pior qualidade com comportamento pouco previsível.

3) Funcionalidade

Ainda tendo em mente o cenário anterior, que funcionalidades terá o router entregue pelo ISP? Suporta configurações de QoS? Podem fazer-se ajustes finos nas regras de firewall? Suporta dns dinâmico? Permite ser cliente ou servidor de VPN? Tem watchdog para o reiniciar automaticamente em caso de bloqueio?

Resultado: limitações de performance, de funcionalidade e segurança.

Todos os pontos referidos deixam clara uma coisa: a única forma de prestar serviços de elevada qualidade é ter sempre o mesmo modelo de router IP/ethernet em uso, independentemente do ISP. Para isso é necessário ter o acesso em modo bridged mantendo como único ponto variável o modem, que traduz do nível físico Ethernet para o nível físico da ligação (ADSL, Fibra, Cabo,...).

Assim, e recorrendo à elementar lógica de inversão, concluímos que todo o ISP cujo equipamento não permite funcionamento em bridged é incompatível com a prestação de serviços do patamar de qualidade pelo qual nos nivelamos. Este patamar é o do uptime medido em anos, não em semanas.

Como nota final, antes que comecem a dizer que isto interessa apenas uma pequena percentagem de clientes, refiro apenas que os ISPs deviam amar-nos, receber-nos em passadeiras vermelhas e pôr hospedeiras de mini-saia a servir-nos canapés. Isto porque os clientes que lhes fazemos chegar são aqueles que nunca lhes ligam antes de falar connosco, seja porque razão for. E nós só abrimos avarias quando sabemos exactamente que a falha está do lado do ISP. E quando o fazemos é com um report objectivo (falha de sincronismo, packet loss, ...). Haverá cliente mais rentável do que o que paga todos os meses, só se queixa quando tem razão e quando o faz vai directo ao assunto? Soma-se a isto não ter aplicações P2P ligadas 24/7 a ocupar largura de banda...

Resta portanto saber como se recompensa os melhores clientes: com equipamentos bloqueados! Talvez um dias as coisas mudem. Se o argumento acima não convence talvez a inspiração do nosso especialista em redes favorito possa ajudar ...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Linspotting FAQ


The Linspotting project had a great overall reception from all over the world. This is both rewarding and motivating. However, since not all sides of the project were entirely understood we leave here a simple FAQ for reference.

1) What is the Linspotting project?
A meta-package for Linux Caixa Magica, a certification, a video editing workflow manual (EN and PT) and a demo video. See the full explanation here.

2) Is the video a commercial for Linux?
No it is not. The video is an ironic view over the way Linux / Open Source works. It's meant for a niche, not for a general audience.

3) "I don't get the message"
The video has quite some subtleties. To fully get it it helps if:

- you've seen Trainspotting (awesome movie...)
- you are familiar with the Linux "ecosystem"

Bonus points, if you understand Portuguese.

4) Can I install "Linspotting" on other Linux distributions?
You want to install Kdenlive not Linspotting. On other distributions you don't get the formal certification of the package set that is needed for a full workflow (kdenlive, mlt, ffmpeg, etc) but Kdenlive should work nicely. There's nothing stopping other Linux distributions from certifying video editing as well.

5) Is Linux / Kdenlive suitable for professional video editing?
Yes.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vodafone ADSL - os trapalhões em Portugal




Este blogue é sereno. Não se exalta. Não perde a compostura. Mede as palavras. Chega até a ser politicamente correcto. Disto decorre, como entenderão, o uso da expressão "trapalhões". Atendendo à sua definição, facilmente concordaremos que, se bem que porventura deficitária na intensidade, a palavra tem pelo menos o sentido apropriado.

Como qualificar quem demora semanas para efectuar um processo de 5 minutos? É tentador disparar um "preguiçoso". Mas seria injusto falar de preguiça já que se trata de trabalhar semanas a fio. Os resultados? Esses tardam e por vezes falham.

A Vodafone Portugal decidiu no seu serviço ADSL presentear os utilizadores com um modem bloqueado (Thomson Speedtouch 516v6) que não faz modo bridged, com a configuração de origem. Ora, o modo bridged (absolutamente essencial para quem quer ter routers IP fiáveis e normalizados ao longo de dezenas de clientes independentemente do ISP de cada um) é algo de configuração trivial em qualquer modem/router normal. Mas não para a Vodafone Portugal. Não só o modem não o suporta de origem como o processo de configuração que a Vodafone Portugal propõe é de tal forma anedótico, que por vezes nos interrogamos se será real.

Claro está, que se optarmos por contornar o referido processo configurando em 5 minutos um modem decente (ex: Huawei Smartax MT882) ao primeiro problema que exista na linha a Vodafone Portugal prontamente se descartará de responsabilidades.

Então como funciona o processo que a Vodafone propõe para resolver o problema?

1. ligar o modem à linha
2. enviar um email à Vodafone Portugal solicitando que configure o modem em bridged
3. sleep (24h)
4. aguardar que nos liguem de volta
5. correr um wizard no interface web do modem por sugestão da linha de apoio
6. testar
7. se não funcionar comunicar esse facto à linha de apoio e voltar ao passo 3.
8. done

Sobre este extraordinário cupcake jazem ainda algumas cerejas.

Para começar, nunca ninguém sabe estimar quanto tempo irá demorar a configuração pela parte da Vodafone Portugal. Isto porque a "ordem" de configuração é enviada por um sistema central que não dá previsões, muito embora "possa demorar até 24 horas" (sic) para enviar um par de kbytes por uma rede da banda larga. Por outro lado, o avançadíssimo computador central que configura os modems parece ser operado por um misterioso departamento clandestino, que não não só não comunica com os clientes como não comunica com os supervisores do helpdesk, com quem os clientes - exasperados - acabam por ter que falar quando se apercebem que vão ficar semanas sem usar a linha. Uma vez concluída a suposta configuração a Vodafone também não sabe verificar se ficou bem feita e pede ao cliente que execute um wizard (mas nem sempre) e depois teste. De cada vez que há uma falha a granularidade da espera para novo teste (presencial!) acaba por ser próxima das 24h. Por vezes "os modems rejeitam as configurações" (sic). Outras vezes o comercial que quer vender o serviço tem contactos internos e resolve o assunto com um telefonema. Outras ainda os clientes desistem do serviço.

Já os funcionários da linha de apoio não fazem melhor porque não podem. Uns até se esforçam para ajudar mas não têm meios para resolver nada. Outros parecem ter saído directamente do youtube.

E tudo isto para fazer algo que demoraria 5 minutos? Sim. A Vodafone Portugal, parece ter querido evitar que os utilizadores configurassem o modem como lhes desse mais jeito. Talvez para poupar em esforço de assistência? E assim, acabou a implementar um processo Kafkiano cuja técnica não domina e deixa a empresa ridicularizada em frente ao segmento de utilizadores profissionais que sabem exactamente o que precisam para oferecer um bom serviço aos clientes. E o que mais chateia é que, uma vez a funcionar, o serviço é bom e o custo é justo.

Cause I like you,
Yeah I like you.
And I'm feeling so Bohemian like you,
Yeah I like you,
Yeah I like you,
And I feel wahoo, wahoo, wahoo!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

The Linspotting project - Linux video editing workflow ready for action

A full Linux video editing workflow is finally ready for production use. The certified solution is based on Kdenlive plus a set of components which allow easy integration with different sources of video (firewire capture, DVD extraction, H264 transcoding, screen capture, etc). The certification and packaging initiative, which was made possible by years of impressive work from several groups of open source developers, comes from Angulo Sólido, Caixa Mágica and the freelance journalist Caroline Pimenta.

The solution includes most features expected in professional video editing packages, such as: multi-track editing, support for a wide range of formats and codecs (mp3, mpeg2, mpeg4, DnxHD, Theora and others) and platforms (eg, Vimeo, Youtube), an important set of effects and transitions, support for screen captures, custom rendering profiles and subtitle support.

It can be installed on Linux Caixa Mágica simply by selecting the package “task-video-editing” on the Synaptic package manager. All the dependencies are handled automatically.

Kdenlive's main window

A workflow manual is available in English and Portuguese.

A simple demo video, which is a remake of the famous and fabulous Transpotting intro, was also released and can be found below.

Linspotting from Caroline Pimenta on Vimeo.


The source RPMs, which may be useful for other distributions can be found here:

ftp://ftp.caixamagica.pt/15/oficial/SRPMS
ftp://ftp.caixamagica.pt/15/contribuicoes/SRPMS

We would like to highlight the high quality work delivered by projects like xine, kaffeine, mplayer, vlc, ffmpeg, mlt and kdenlive which are the building blocks of this easy to use certified solution.